Ancorar & Sentir seu momento

A Coragem de se Transformar: Por Que Mudanças Assustam Tanto?

Todos nós temos alguém a quem admiramos. Muitas vezes, sabemos explicar os motivos. Em outras, o respeito nasce de um lugar difícil de traduzir em palavras. No geral, admiramos quem se atreveu a tentar o novo, quem decidiu mudar e, em um primeiro momento, nos causou um certo espanto. Olhando de fora, a transformação parece repentina e ousada. Só quem vive o processo sabe o que abriu caminho para essa virada: uma frase ouvida na hora certa, uma crise em casa, um solavanco no trabalho ou o puro cansaço de manter hábitos velhos.


Transformar-se é uma necessidade humana é um fato da própria vida. O mundo vivo muda o tempo todo, exatamente como a passagem das estações. É inevitável. Mesmo assim, por que travamos diante do novo? Qual o motivo de o desconhecido assustar tanto, seja em nós ou nos outros?


A natureza mostra um ciclo bem claro. As fases da lua, a mudança nas copas das árvores e até o trabalho das abelhas ensinam sobre constante renovação e função. A vida aceita a ação do tempo. O curioso é que aceitamos e até esperamos por essa transição no clima ou no crescimento de uma planta, mas exigimos estabilidade de nós mesmos.


O convite, diante da mudança, é contemplá‑la com atenção, sem o julgamento que costumamos aplicar a nós mesmos. Façamos o exercício de reconhecer nossas mudanças e as das pessoas que amamos. Pense nisso.

A armadilha de esperar

Sabe aquela sensação de que você está sempre no aguardo? É o “depois”. Depois do trabalho, depois que eu conseguir tal coisa, depois que eu me sentir segura o suficiente. Contamos essa história para nós mesmos e acreditamos que é responsabilidade, cautela, que é cuidado.

Mas, sendo bem sincera, às vezes isso é apenas uma forma de escapar dos nossos medos diante do que é incerto. Trabalhamos, pesquisamos, organizamos, estudamos, nos cansamos, e o tempo continua passando.
Vivemos no modo “esperando me sentir mais segura”. Como se a vida fosse um evento e estivéssemos lá atrás, ajustando e nos preparando eternamente com medo de não estarmos boas o suficiente.

A verdade é que a vida não está pronta, mas precisamos enfrentar essa realidade. O grande problema de “esperar me sentir mais segura” é que, enquanto você tenta eliminar todos os riscos, também elimina a única coisa que realmente importa: a chance de ser você, hoje, com as ferramentas que tem à disposição.

Sua vida não vai melhorar magicamente quando tudo estiver 100%. Ela já está acontecendo, mesmo com a casa bagunçada e as dúvidas sobre o novo. Não espere que o medo desapareça para dar o primeiro passo, porque o medo é uma companhia constante. O movimento é a única forma de descobrir quem você realmente é.

Afinal, a vida não é justa, mas é agora.